Utopia, Distopia e música

Nas últimas semanas tem se falado muito em distopia . Principalmente na âmbito das artes e mais especificamente no universo das séries cinematográficas (Netflix). Por isso resolvi pensar um pouco mais sobre os conceitos de utopia e distopia e relacionar com algumas produções da música.

Utopia e distopia têm sentidos contrários. A utopia é algo demasiado bom para ser possível no aqui e agora. Em resumo, projetamos um horizonte no qual, talvez, um dia seja possível alcançar. Já a distopia, em oposição a utopia, não garante que esse horizonte seja melhor, possível ou realizável. Percebe-se que otimismo e pessimismo atravessam a construção de ambos os conceitos.

Em uma rápida pesquisa descobri que o uso do termo distopia se deve primeiramente ao escritor anglo-irlandês Jonathan Swift, no romance Viagens de Gulliver (1723), e também mais tarde ao pensador John Stuart Mill (1868). Atualmente o termo é mais utilizado para descrever obras cinematográficas de ficção-científica e revoluções tecnológicas como Black Mirror de Charlie Brooker (Netflix) ou 1984 de George Orwell.

Tanto utopia quanto distopia derivam de outro conceito, topografia.

“Ao pé da letra, topografia significa ‘descrição de um lugar´. O ‘u’, no caso, serve de partícula negativa. A utopia, portanto, é o ‘não lugar’, ou seja, um lugar que já começa a não existir em sua própria etimologia”. Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2016/11/como-reconhecer-uma-distopia.html

Dis-topia trata de deslocamento ou dificuldade em construir uma realidade paralela nos termos utópicos.

Utopia: o mundo ideal, onde tudo é perfeito. Geralmente, a possibilidade de acesso ao utópico precisa passar antes pela libertação de amarras de algo/alguém;

Distopia: realidades negativadas (imaginárias ou não), onde a humanidade está escravizada ou à beira do aniquilamento.

O QUE A MÚSICA TEM COM ISSO?

A partir do século XX, com o surgimento das discussões sobre indústria cultural (especialmente em Adorno e Horkheimer), é possível encontrar obras da filosofia que relacionam cenários distópicos com a produção artística. A chamada “escola de Frankfurt” tem algum protagonismo nisso. Uma das críticas latentes nas obras dos filósofos Adorno e Horkheimer se referem à uniformização dos indivíduos e da cultura por meio da arte.

A crescente industrialização dos meios de produção atinge a arte. Isso afetaria diretamente a classe trabalhadora e exerceria uma forma de dominação, alienação – distopia. Ou seja, os desejos e valores de uma classe dominante são difundidos através da indústria cultural. É importante lembrar que a indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, é controlada pela burguesia.

Nesse sentido, a distopia surge com o crescente empobrecimento estético da população. A indústria cultural trataria a música não como arte, mas como instrumento de alienação e controle ideológico. Feita como um produto com data de validade e para o consumo das massas.

O que você acha disso?

Para escutar:

Admirável Gado Novo de Zé Ramalho;

– Admirável Chip Novo da Pitty;

– Album “Brave new worldIron Maiden

Todas as canções citadas foram, de alguma forma, influenciadas pelo livro “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley (1931). Obra romanceada que apresenta um tipo de sociedade distópica.

Abço.

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