Pular para o conteúdo principal

Educar na Pandemia #2

Escrita musical
Anteriormente escrevi sobre as mudanças provocadas pela pandemia na
educação escolar. Desta vez, abordo mais especificamente o ensino musical. O que pode o ensino de música online? O que é possível fazer em uma situação de aula de música a distância?

Recentemente li o artigo de Ana Baltazar Costa, disponível no site português Publico.pt, sobre "A impossibilidade do ensino a distância no Ensino Artístico". A autora argumenta que, ao contrário de outras disciplinas, nas artes lidamos com um tipo de produção de conhecimento que é de natureza prática. Ou seja, as especificidades dos cursos artísticos não são viabilizadas integralmente quando saímos do presencial para o ambiente virtual. Concordo com Ana Baltazar que diz que nenhuma solução (EaD) será ideal para "uma boa consolidação dos conteúdos e um processo de ensino e aprendizagem eficientes" no campo das artes. Sensível ao momento de urgência que estamos passando, fica sob responsabilidade das escolas, diretores e professores encontrar alguma solução (mesmo que provisória) para manter os estudos. Com certeza, as expectativas que nós temos precisará levar em consideração aquilo que é possível fazer. 

Se o objetivo é ensinar música a partir de plataformas virtuais e conectados a internet devemos ter em mente que tal proposta requer tecnologia atualizada por parte de professores e alunos. Além disso, é importante que os participantes tenham conexão de internet potente nas suas casas. E o que mais? Em encontros virtuais síncronos, mesmo dispondo de internet banda larga, é comum que ocorram atrasos (delay) na alternância de comunicação por áudio e vídeo.  Também existe certa defasagem do som quando mais de um participante fala simultaneamente dentro de uma videoconferência. Esses fatores praticamente inviabilizam a prática musical coletiva em tempo real via internet. Além disso (tem mais) as plataformas de comunicação online (ex: Meet, Zoom, Skype, etc) não foram desenvolvidas com o intuito de captar e transmitir o som de instrumentos musicais acústicos. Perde-se muito em termos de qualidade do som nas transmissões via internet.
Tecnologias da música
Isso quer dizer que o ensino musical é impraticável no modelo online? Claro que não, existem alternativas. Alguns exemplos que tenho colhido da minha prática e também observando propostas outras:

É possível que os alunos toquem junto com trilhas pré-gravadas. Já que momentaneamente não conseguimos interagir em grupo, uma opção é tocar utilizando bases pré-gravadas. No youtube existem muitos exemplos prontos. Basta usar o termo "back tracks" + nome do instrumento  no campo de busca.

Outra alternativa é a produção de arranjos coletivos com base em colagens. Atualmente a nova moda nas redes sociais são videos musicais gravados remotamente, por camadas, utilizando aplicativos como Acapella. Cada participante adiciona uma nova camada no arranjo e constrói sua apresentação a partir da troca de arquivos de áudio e vídeo;
Atividades de apreciação musical, leitura, discussão e interação por fóruns também podem acontecer sem maiores prejuízos. 

É importante lembrar que, independente da solução proposta, é necessário consultar os alunos sobre a viabilidade destas atividades. Será que o seu estudante dispõe de estrutura tecnológicas básica para estudar online? Me refiro aos seguintes requisitos: a) ter conexão com a internet (ou buscar por pontos de conexão quando a escola/universidade oferecer tal recurso), b) dispor de equipamento para gravar áudio ou vídeo (quando necessário) - ex: Smartphone ou gravador portátil - c) domínio dos procedimentos básicos de gravação e edição de áudio e vídeo (quando necessário).
A conversa segue...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Repertório apresentado no bacharelado em percussão da UFSM (2002-2006)

Ritmos Brasileiros: Ijexá