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QUANTO TEMPO O TEMPO TEM - DOC

Recentemente assisti o documentário "Quanto tempo o tempo tem" na Netflix. É uma produção brasileira e tem direção de Adriana L. Dutra. O documentário problematiza as diferentes formas de experienciarmos o tempo. Achei interessante, especialmente pelas possíveis associações com a música e as artes de maneira mais geral.


DO QUE SE TRATA

A parte inicial, especialmente nos 20 primeiros minutos, o documentário apresenta informações importantes para entender o conceito de tempo numa perspectiva histórica. Principalmente por apresentar um esquema tipo fio-histórico sobre o desenvolvimento das técnicas e tecnologias criadas pelo homem para marcar o tempo. É possível entender melhor que criar marcadores de tempo (dias, meses) surge como necessidade humana em determinado momento do desenvolvimento humano. A narrativa do filme apresenta uma síntese dessas marcas desde os tempos mais antigos, na Grécia, passando pela idade média  até a contemporaneidade. 

Os antigos (ou primitivos) criaram formas muito engenhosas de observar e entender os ciclos temporais. Como por exemplo as estações do ano, a relação circular entre dia e noite, os períodos férteis para plantar, entre diversas outras maneiras de evidenciar a passagem do tempo. O documentário mostra ainda que a forma como nós organizamos o dia - em minutos, horas, as semanas e meses - são convenções e costumes produzidos na cultura. Grande parte disso não tem uma justificativa científica mais elaborada.
 
Bom, e na contemporaneidade, como fica o tempo? Vivemos uma experiência de tempo “acossado”, corremos sem motivo, corremos sem sequer dar-se conta da disparada. Como se o tempo tivesse ficado mais rápido. Tudo sugere velocidade, urgência, nossas vidas estão sempre atadas ao dever de alguma tarefa. Mas afinal de contas, por que o tempo parece tão curto? 

ARTE E O TEMPO

Embora o documentário estabeleça uma discussão mais filosófica sobre o tempo, existem múltiplas possibilidades de conexões disso com a arte, em especial com a música. Primeiramente pensamos a expressão musical como uma ação no tempo, como forma de organizar sons em um plano temporal. Afinal, a música tem como matéria prima o som e esse som depende do tempo para se propagar. 

Qual a relação do músico com o tempo? O músico (ou compositor) precisar organizar o material sonoro, suas ideias, criar uma narrativa dentro do tempo. É importante lembrar que o tempo musical não necessariamente é um tempo contínuo de sentido único. É possível fazer dobras no tempo musical – mudar seu sentido. As continuidades, descontinuidades, repetições, são elementos muito importantes para a narrativa musical e produzem, entre outras coisas, as dobras no tempo.

Na música, as dobras surgem quando determinada seção temática é retomada, quando acontecem os ritornelos, rememorações, ou ainda quando escutamos o retorno do refrão na canção popular. É por meio das dobras que o compositor cria sensações com a música. 

A discussão sobre o tempo é explorada recorrentemente na arte e na filosofia. Diversos filósofos ao longo da história da filosofia produziram teses sobre o tempo. Na parte final do documentário os convidados (grande parte cientistas e filósofos) fazem uma profunda reflexão sobre os rumos da civilização e o futuro da existência humana, do prolongamento da expectativa de vida até o impacto das tecnologias para o desenvolvimento da vida biológica no planeta. 

SERVIÇO DO DOCUMENTÁRIO

FICHA TÉCNICA:

Direção e Roteiro: Adriana L. Dutra 
Codireção: Walter Carvalho 
Direção de Fotografia: Walter Carvalho & Bacco Andrade 
Produção Executiva: Cláudia Dutra & Viviane Spinelli 
Direção de Produção: Flávia Guimarães 
Produção Geral: Alessandra Alli 
Edição de Som: Lulu Farah 
Som Direto: Marcel Costa 
Animação: Marcello Rosauro 
Trilha Sonora: Lucas Ariel e Pedro Silveira 
Edição: Renato Martins 

Entrevistados em ordem de aparição no filme: André Comte-Sponville, Marcelo Gleiser, Thierry Paquot, Arnaldo Jabor, Francis Wolff, Luiz Alberto Oliveira, Raymond Kurzweil, Erick Felinto, Stevens Rehen, Domenico De Masi, Arthur Dapiéve, Alexandre Kalache, Monja Coen Sensei, Tom Chatfield, Analice Gigliotti, Nélida Piñon, Max More, Natasha Vita-More, Nilton Bonder 

Gênero: Documentário 
Duração: 76 minutos 
Ano: 2014 
Produção: Inffinito 
Distribuição: EH Filmes & Synapse

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