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8 HÁBITOS CRIATIVOS DO MÚSICO IMPROVISADOR - Por Hamilton de Holanda



Recentemente o músico Hamilton de Holanda publicou uma série de dicas sobre prática musical, estudo e performance na sua página no Instagram. Assim como fiz com as 16 DICAS (o que fazer/o que não fazer) do CHICK COREA  sobre prática e performance, reproduzo também as dicas do Hamilton de Holanda logo abaixo.

A lista está organizada da seguinte maneira:
#1 Cantar;
#2 Batucar;
#3 Tirar músicas de ouvido;
#4 Tocar um instrumento (ou mais) diferente do principal;
#5 Praticar escalas e arpejos;
#6 Gravar e criticar;
#7 Conhecer muitas músicas de culturas e épocas diferentes;
#8 Criar e aprender todos os dias.

INTRO:

A prática leva à perfeição. Não à perfeição utópica do ser humano, mas a perfeição do encontro com a beleza, aquela que traz a sensação de realização do que está na cabeça e no coração e que independe de elogios ou críticas externas, é estar de boa com minha música. Na hora de improvisar, não temos muito tempo pra pensar. Os hábitos ajudam na hora ‘H’, nos dão agilidade pra escolher os melhores caminhos.

DICA NÚMERO 1: CANTAR

Cantar é a maneira mais primitiva de se praticar a música. O som que o corpo pode emitir através da voz é a ligação mais direta que temos entre o que está na mente, na alma e no coração. O som da voz é a materialização do sentimento e do pensamento. Ou seja, o tempo entre pensar e cantar praticamente não existe, a voz é o instrumento que tem a resposta mais imediata. Cantar pode ser uma canção ou também solfejar as notas sem palavras. Estudar solfejo é uma atividade que deixa a mente musical bem afinada. . . .
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DICA NÚMERO 2: BATUCAR

Os primeiros instrumentos musicais que se tem conhecimento são instrumentos de percussão. Na verdade, o próprio corpo humano foi o primeiro instrumento musical. Tirar sons batucando as mãos e os pés era uma maneira primitiva de comunicação. A prática de ‘groovar’ deixa o seu rítmo mais vivo e fluente. A prática de leitura rítmica deixa a intenção de subdivisões mais precisa. Batucar significa repetir células rítmicas sem notas específicas e sem harmonia mas com uma constância e energia que chega a dar quase um transe, é uma sensação física indescritível. . . .
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DICA NÚMERO 3: TIRAR MÚSICAS DE OUVIDO

O ouvido é a porta de entrada dos sons. Desenvolver uma boa audição é fundamental pra desenvolver a musicalidade e a capacidade de improvisação. É importante demais saber reconhecer acordes e rítmos, tirar riffs, tirar melodias inteiras e reconhecer timbres de instrumentos diferentes. É elementar saber ler partiura, mas a música chega à emoção das pessoas pelos ouvidos. Assim como podemos treiná-los pra escutar uma língua diferente e reconhecer as palavras, também é possível treinar a audição pra reconhecer os signos da linguagem musical. . . .
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DICA NÚMERO 4: TOCAR UM INSTRUMENTO (OU MAIS) DIFERENTE DO PRINCIPAL

Muda o paradigma tocar uma mesma frase, um mesmo acorde em instrumentos diferentes. A maneira de pensar soluções é alimentada pela dificuldade que cada instrumento tem. Sabendo sobre mais instrumentos rola um aumento na sagacidade e na velocidade de pensamento, ajudando no resultado final da musicalidade. Além disso, tocar frases de outros instrumentos no instrumento principal pode aumentar os limites da sua linguagem. . . .
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DICA NÚMERO 5: PRATICAR ESCALAS E ARPEJOS

Fundamental. Quanto mais escalas se tem conhecimento, mais longe pode-se ir em um improviso. Isso não quer dizer que quem sabe algumas poucas e boas escalas não possa fazer um lindo solo, mas sempre se pode expandir. Se o repertório de escalas e arpejos é grande, a possibilidade de encontrar as notas que o sentimento quer aflorar é maior. Estudar escalas e arpejos: sempre. Encontrar uma maneira musical de fazer as repetições. Nunca repetir só por repetir. Misturar com os outros elementos (harmonia e rítmo) pra dar graça ao exercício. Praticar bastante pra automatizar o domínio das escalas e dos arpejos. Dentro desta prática está implícito o estudo da harmonia. Em suma : na hora do solo, não dá muito tempo pra pensar, então se a mente tem bastante assunto trabalhado, naturalmente a música acontece. Treinar lento e rápido. . . .
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DICA NÚMERO 6: GRAVAR E CRITICAR

No momento da realização musical, é difícil ter uma opinião exata do que se está fazendo. Fazer a análise do solo em tempo real não é musical. Um bom hábito é gravar os estudos, ensaios, improvisos e shows pra ‘ouvir de fora’ e se formar uma opinião do que está bom e o que pode melhorar. Pegar um trecho de uma música que tem dificuldade e gravar várias vezes até achar o ponto da interpretação. Isso dá uma consciência muito clara do som que você quer fazer. Além do metrônomo, que é considerado um grande amigo do músico, o gravador é um grande companheiro na caminhada da evolução musical. Também ouvir a crítica alheia. . . .
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DICA NÚMERO 7: CONHECER MUITAS MÚSICAS DE CULTURAS E ÉPOCAS DIFERENTES

Alimentar a curiosidade talvez seja o hábito criativo mais importante de todos, não só na música e na improvisação, mas na vida de uma maneira geral. Conhecer músicas de diferentes épocas e diferentes culturas. Entender o por que de serem como são. Observar, questionar, aprender. Isso dá a noção de pertencimento cultural, com o que sua linguagem de improvisação vai se parecer. Mais importante do que saber escalas é saber tocar muitas músicas, não tem alimento melhor para a improvisação do que as próprias melodias das músicas. . . .
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DICA NÚMERO 8: CRIAR E APRENDER TODOS OS DIAS

Esse é o que afirma todos os 7 anteriores, é a prática conjunta, complementar e suficiente. É a resposta de como a disciplina do hábito contribui com a criatividade. Pode ser uma frase musical, uma sequencia de acordes, uma levada rítmica, uma poesia, uma música completa, um compasso, ler um livro, ver um filme, ensinar uma música pra alguém ou aprender uma música com alguém. A prática diária abre os canais da inspiração. . . .

Abraço

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