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ABEM NACIONAL 2019 - UFMS

ABEM 2019
Em novembro deste ano (2019) aconteceu o XXIV congresso anual da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM). O evento foi sediado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) na cidade de Campo Grande-MS. O evento foi importante para o debate sobre educação musical, políticas públicas e o contexto atual da área do ensino musical no Brasil.

Na ocasião também publiquei o artigo "Criação musical no bacharelado em música popular: o que pode o ensino de música? Aproveitei o momento para afirmar a potência da criação musical e dos agenciamentos artísticos no curso de bacharelado em música popular da UFPEL. O trabalho problematizou as ideias de genialidade e Dom em práticas musicais de um curso superior de música. Questionei o fato de já não existir mais espaço para olhares romantizados sobre os processos de criação artísticos. Ainda assim, difícil descolar-se de concepções essencializadas e “iluminadas” sobre os processos criativos. Mas o que busquei dizer é que a criação musical é algo potente, contém forças de ativação artística e é produtora de agenciamentos - ou seja relaciona conhecimentos de múltiplos campos (música, literatura, filosofia por exemplo). É possível perceber que o conceito de criação musical não se limita as concepções da indústria cultural onde o indivíduo criativo é aquele que vai "vencer na vida" (recorrente na linguagem coach), do mercado da música ou senso comum. Na perspectiva da Filosofia da Diferença, a criação vai além da ideia de ação conjunta, colaborativa e que envolve processos de reflexão sobre uma dimensão cognitivista. Nessa perspectiva, a criação é uma forma de resistência, de experimentação e descobridora de forças sonoras. Com isso, o repertório orientado historicamente nos cursos de bacharelado em música podem ser questionados enquanto lugares de criação musical.

O ensino e a aprendizagem, mais do que produtos são processos através dos quais os indivíduos produzem subjetividades. Ou seja, vamos construindo realidades, modos de ser e viver artisticamente. No curso de bacharelado em música popular da UFPEL os processos de criação musical funcionam como experimentos, experiências que, ao contrário de isolamento, pode ser constituído dentro de práticas musicais coletivas.
ABEM 2019
Além das discussões nos Grupos de Trabalho (GTs) e (re)encontros com amigos, aprendi muito sobre a "aplicabilidade dos métodos brasileiros coletivos" na oficina para professores/maestros de bandas escolares e de fanfarra ministrada pelo prof. Aurélio Nogueira de Sousa (UFG). A oficina teve como objetivo apresentar uma proposta baseada nos métodos que tem em seu eixo o ensino coletivo de música e esteve fundamentada metodologicamente nos seguintes estudos: Alves (2011,2012, 2014) Tocar Junto, Barbosa (2004, 2010) Da Capo, Scheffer (2013) Projeto Guri. Como procedimentos didáticos, a oficina foi realizada de forma teórica e prática. Nas atividades teóricas, os assuntos foram abordados através de exposição oral, debates e análises de experiências com base nos conteúdos apresentados. As atividades práticas foram divididas em três tipos de exercícios: 1) exercícios de pulso e andamento, 2) exercícios de ritmo e som com a utilização dos instrumentos e 3) exercícios de técnica instrumental com instrumentos de banda. Tenho certeza que a oficina contribuiu com a divulgação dos materiais didáticos mencionados anteriormente, promoveu a atualização pedagógica dos participantes e ampliou a maneira de utilizar tais materiais e expandir o desenvolvimento das práticas de banda em diferentes comunidades.

O público alvo desta oficina de música foram professores, pesquisadores, instrumentistas de sopro profissionais e/ou estudantes e comunidade geral de músicos, que desenvolvem trabalhos com bandas e outros grupos instrumentais.

Melhor que isso? Ter a oportunidade de conhecer a Universidade de Mato Grosso do Sul, os estudantes de música da região e reencontrar amigos. Dica: o restaurante universitário da UFMS é ótimo!
Obrigado Sul Matogrossenses.

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